O caso do assassinato do advogado Roberto Zampieri voltou a ganhar força nos últimos dias após o Ministério Público denunciar nove pessoas por envolvimento no crime. O assunto tem ligação direta com Paranatinga porque uma das principais linhas de investigação aponta que o homicídio teria relação com uma disputa milionária de terras no município.
Segundo as investigações divulgadas anteriormente e reforçadas agora pelas novas denúncias, a disputa envolvia propriedades rurais avaliadas em aproximadamente R$ 6 milhões, em um processo judicial que já durava mais de 20 anos em Paranatinga.
As fazendas citadas no processo são:
- Fazenda Lagoa Azul – área de aproximadamente 4.596 hectares;
- Fazenda Matão – área vizinha que também entrou na disputa judicial.
De acordo com os documentos citados nas reportagens da época, o cliente defendido por Zampieri havia conseguido decisão favorável na Justiça para reintegração de posse das áreas. O produtor rural investigado como possível mandante do crime contestava judicialmente essa decisão e alegava que parte das terras não deveria entrar na ordem de reintegração.
A Polícia Civil apurou que, dias antes do assassinato, Roberto Zampieri atuava justamente para garantir o cumprimento dessa decisão judicial envolvendo as terras em Paranatinga.
Entre os nomes apontados nas investigações estão o produtor rural Aníbal Manoel Laurindo, a esposa dele, Elenice Ballarotti Laurindo, além de outros envolvidos suspeitos de intermediar, financiar e executar o crime. O caso começou com a prisão do atirador confesso Antônio Gomes da Silva e depois avançou para novos suspeitos apontados como financiadores e mandantes.
As investigações também revelaram uma possível rede de influência dentro do Judiciário mato-grossense. Após análise do celular de Zampieri, o Conselho Nacional de Justiça passou a investigar suspeitas de venda de decisões judiciais e tráfico de influência envolvendo magistrados.
Os desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso afastados pelo CNJ no decorrer das investigações foram:
- Sebastião de Moraes Filho
- João Ferreira Filho
Os dois foram afastados cautelarmente pelo Conselho Nacional de Justiça em meio às apurações sobre supostas negociações de decisões judiciais relacionadas ao advogado Roberto Zampieri.
Posteriormente, outras investigações também passaram a atingir novos magistrados e pessoas ligadas ao caso, ampliando o escândalo judicial em Mato Grosso.
O caso ganhou repercussão nacional porque começou como um homicídio em Cuiabá e acabou revelando uma possível estrutura de corrupção e influência dentro do Judiciário, além de disputas milionárias por terras em regiões do agronegócio mato-grossense, especialmente em Paranatinga.
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